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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

DIY: esqueletização de folhas

Fuçando por aí atras de ideias novas,me deparei com isso:



Fiquei boquiaberta,no início achei que essas folhinhas não eram de verdade,mas depois vi que eram sim,e é possível fazê-las em casa,num processo chamado esqueletização de folhas.
O domínio técnico da imitação artesanal dessa ‘esqueletização’ não é recente. Na verdade, há registros históricos muito antigos, como as citações de seu uso na China da Dinastia Ming (Século 14). Ou os relatos do Reino Unido na Época Vitoriana (Século 19), quando os phantom bouquets impressionavam a nobreza inglesa. A tradução literal de phantom bouquets é buquês-fantasmas, nome atribuído aos arranjos porque eram feitos sem tingimentos, com as folhas em sua pálida cor natural.
Hoje,principalmente no Norte e Nordeste do Brasil,muitas mulheres que fazem esse tipo de trabalho,as chamadas rendeiras (pois as folhas lembram uma renda finíssima),já fornecem produtos para grandes lojas  de SP e RJ,e em breve será criada uma empresa com nome 'Skeleton'.
As folhas são colhidas diretamente nas árvores ou selecionadas entre as recém-caídas, no caso das plantas chamadas decíduas. A preocupação com a exploração sustentável impõe um rodízio de árvores na coleta das folhas. As artesãs ainda fizeram um acordo com a prefeitura de Mogi Mirim e os responsáveis pela poda nas árvores da cidade avisam quando as folhas podem ser recolhidas. Assim, as artesãs dão aproveitamento às folhas,e a prefeitura reduz o volume de resíduos.
Na etapa de tingimento existe a preocupação com os resíduos poluentes, que são tratados ou reservados em galões para reaproveitamento em novas produções, sem o descarte no meio ambiente. Esses efluentes são muito alcalinos e estimulam a proliferação de algas, se descartados na água. Outra medida para combater os efluentes de tintas químicas é a pesquisa de alternativas para tingimento com produtos naturais. Por enquanto ainda não tem nenhum aprovado por problemas de fixação – as cores desbotam com facilidade – mas os estudos avançam com resinas de árvores, sementes, frutos e até legumes.

Você pode realizar esse processo de 4 formas diferentes:

1 - Use folhas grandes, com nervuras bem pronunciadas e que já estejam separadas do caule há algum tempo (por favor!). Ferva as folhas em uma mistura de 80gr. de bicarbonato de sódio e 3/4 de litro de água, até que a “carne” comece a soltar. Retire da água e coloque-a sobre um pano de copa limpo. Esfregue “gentilmente”, como um objeto não cortante, para retirar o restante da polpa (puxe quando soltar). Depois coloque o esqueleto sobre uma folha de papel e borrife levemente um pouco de água oxigenada, para clarear o “esqueleto”.

2 -  Folhas com nervuras salientes como do limão ou da laranja; elas não podem estar secas, nem danificadas. As folhas colhidas ficam cozinhando em grandes panelas de aço inox, sobre as chamas de um fogão à lenha por 18 horas até toda clorofila ser extraída. Depois, ficam no cloro para clarear. Umas são usadas assim mesmo e outras são tingidas.

3 - Faça uma solução de 1 colher de sopa de soda cáustica para 1 litro de agua,depois de começar a ferver deixar uma hora de fogo constante.
Espere esfriar, escorra com cuidado a água com soda e enxágue umas 3 vezes deixando as folhas de molho na água limpa.Coloque as folhas aos poucos numa outra vasilha com água sanitária diluída e aguarde até atingir a cor desejada ou até ficar totalmente branca.Se for tingir dissolva um pouco de anilina alemã em álcool e vá mergulhando maços de + ou - 20 folhas húmidas e coloque para secar na sombra.

4 -  (coloque em 'exibir imagem' e dê o zoom,que dá pra ler direitinho)



Inspiração para enfeites com folhas esqueletizadas:

Forma para docinhos ou ainda um porta velas.










3 comentários:

  1. Sou encantada com este trabalho ou melhor com esta arte. acho de uma delicadeza sem par. Parabéns!

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  2. Há um outro processo bem mais demorado mas que também dá certo que é o de deixar a folha num pote com água. Aos poucos, micro organismos vão digerindo a parte mole da folha e no final irá restar o esqueleto. Neste momento a água estará escura (suja) e o esqueleto também. Então adicione água sanitária (candida). Não tenho uma medida recomendada, mas imagino em torno de 10 a 20% , Aí o esqueleto ficará clarinho. O problema maior está em recolher o esqueleto. Se for de folhas finas e delicadas, recomendo introduzir no pote uma lâmina de vidro plano (maior que o tamanho da folha) e vai levantando aos poucos da água. Deste modo o esqueleto ficará preso ao vidro e você consegue tirar o esqueleto inteiro. Se for de folhas mais grossas, como a folha da pata-de-vaca, ela saírá inteira e pode ser retirada com a mão mesmo. Este processo precisa um pouco de paciência pois demora alguns dias e depois mais paciência para retirar o esqueleto da água de a folha for fina. Mas com um pouco de tentativas acaba ficando mais fácil. Inclusive se tiver algum professor de plantão por aí, recomendo esta atividade como experimento de ciências. abraço a todos.

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  3. Adorei este trabalho, muito lindo e delicado...

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